No primeiro debate pela disputa eleitoral do Estado de São Paulo, o petista Fernando Haddad reclamou que o atual governador Tarcísio de Freitas fica decorando números.
É um argumento astuto, mas muito frágil. Porque, como quase toda frase bonita na política, tem um problema: não explica nada. Afinal, quem está por trás dos números é justamente a gente.
Quando São Paulo registra centenas de milhares de empregos formais, não são números caminhando pelas ruas. São pessoas recebendo salário, pagando aluguel, fazendo compras e sustentando famílias.
Quando o indicativo de criminalidade cai, não é o Excel que comemora. Quando a inflação sobe, não é a inflação que vai ao supermercado. É gente.
Número não é o contrário de gente. Número é gente contada.
Tarcísio pode apresentar investimentos, empregos e obras. Haddad poderia apresentar os indicadores nacionais sobre o trabalho dele no Ministério da Fazenda ou como prefeito de São Paulo, mas prefere esconder números e usar palavras que servem à própria narrativa.
Governar não é escolher entre números e pessoas. É saber o que os números estão dizendo sobre a vida das pessoas.
O trabalhador não quer saber apenas quantas vagas foram criadas. Quer saber se consegue uma delas. Não quer apenas saber se a economia cresceu. Quer saber se o salário compra mais ou menos no supermercado.
A realidade não cabe em slogan.
Por isso, Tarcísio e Haddad deveriam ser cobrados pela mesma pergunta: o que melhorou, de fato, na vida de quem trabalha, paga imposto e espera por serviços públicos?
Porque atrás de cada percentual existe um rosto. Atrás de cada emprego, uma família. Atrás de cada imposto, alguém pagando.
E atrás de cada número existe gente.


