Lá vamos nós outra vez. Mais uma eleição plebiscitária, mais um segundo turno, mais uma vez o Brasil dividido entre dois lados que parecem ter descoberto, cada um, a fórmula definitiva para salvar o país. Trocam-se os candidatos, os jingles, as cores e os discursos. O roteiro, entretanto, continua rigorosamente o mesmo.
O curioso é que, se alguém pegar um editorial deste jornal de 30 ou 40 anos atrás, provavelmente encontrará praticamente as mesmas preocupações: inflação, emprego, segurança, saúde, educação, corrupção, impostos, desperdício de dinheiro público e a promessa de que agora, finalmente, o Brasil vai dar certo. O país do futuro está sempre chegando. Só não chega nunca.
De tempos em tempos, temos um pequeno surto de otimismo. A economia cresce, alguma reforma acontece, aparece uma novidade tecnológica, o PIB melhora um pouco e pronto: decola o Brasil. Cinco minutos depois, vem a turbulência. É o famoso voo de galinha, aquele que sobe o suficiente para permitir uma comemoração e cai antes que alguém consiga reservar a passagem.
E assim seguimos, eleição após eleição, discutindo muito mais quem é contra quem do que o que realmente queremos construir. O debate nacional virou uma espécie de Fla-Flu permanente, só que com menos futebol e muito mais imposto. Enquanto isso, os problemas antigos continuam sentados na primeira fila, assistindo à troca dos protagonistas.
Não há nada de errado em escolher entre projetos diferentes. Democracia é justamente isso. O problema é acreditar, a cada quatro anos, que a urna vai fazer sozinha aquilo que o país não conseguiu fazer durante décadas. Talvez esteja na hora de trocar um pouco da esperança automática por cobrança permanente.
Porque a pergunta que fica é simples: até quando vai durar a nossa esperança? E, principalmente, até quando vamos continuar chamando de futuro um país que insiste em repetir o passado?
Redação.


