O Preço da inGovernabilidade – O Democrata

O Brasil não pratica presidencialismo. Pratica um parlamentarismo covarde, onde o presidente eleito pelo voto popular se arrasta diante de um Congresso fragmentado que cobra pedágio para cada decisão. Nesta semana, assistimos mais um capítulo dessa farsa: parlamentares derrubaram vetos presidenciais e flexibilizaram repasses federais em pleno ano eleitoral, comemorando como se fizessem um favor ao país. A verdade é que fizeram um favor a si mesmos – e enviaram a conta, como sempre, para quem realmente trabalha e produz.

O círculo vicioso é obsceno: para governar, o Executivo negocia gastos; para aprovar, o Congresso exige mais despesas; para financiar, a dívida pública explode – já ultrapassou 75% do PIB; para controlar a inflação do descontrole fiscal, o Banco Central mantém juros a 14,50%; para sobreviver a juros impagáveis, famílias e empresas se endividam ou desistem. E quando a arrecadação despenca porque a economia não cresce, o governo volta ao Congresso de mãos estendidas. Estima-se que só o atraso no corte de juros custou R$ 56 bilhões em um ano – dinheiro suficiente para construir mais de duas Escolas do Futuro em cada município brasileiro. Mas preferimos gastar com o teatrinho político.

As famílias sentem na pele o que Brasília trata como jogo. Empresas não investem porque crédito é luxo de poucos. Trabalhadores não compram a casa própria porque financiamento extorsão. Empreendedores desistem antes de começar. O emprego informal se alastra não por falta de vontade, mas porque a conta da “governabilidade” trava qualquer possibilidade de crescimento real. Enquanto isso, parlamentares posam para fotos em marchas e o presidente assina decretos que serão derrubados na semana seguinte. É um sistema que privatiza poder e socializa miséria.

A matemática é cruel e não negocia: a dívida cresce mais rápido que a economia, os juros corroem o orçamento, as concessões políticas aumentam a cada ciclo. Não há mágica que sustente isso indefinidamente. Chegará o dia – e está mais próximo do que a classe política imagina – em que não haverá mais margem para barganhar, crédito internacional para tomar emprestado ou paciência do mercado interno. Quando o castelo de cartas desabar, não serão os parlamentares em seus gabinetes climatizados que sentirão o impacto primeiro. Serão as famílias sem emprego, as empresas falidas, os municípios abandonados – todos nós que nunca fomos convidados para o banquete, mas sempre recebemos a conta.

O Brasil precisa decidir o que quer ser quando crescer: um presidencialismo de verdade, com governos fortes e responsáveis, ou um parlamentarismo honesto, onde coalizões assumem publicamente o comando. O que não podemos mais tolerar é esse monstro híbrido que nos governa – um sistema que exige o preço do autoritarismo sem entregar a eficiência, cobra a fatura do consenso sem produzir resultados. Quando o sistema explodir – e vai explodir –, que ninguém finja surpresa. Avisados estamos.

Redação.

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