A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional diante do avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. Até o momento, foram registradas 80 mortes suspeitas, oito casos confirmados em laboratório e outras 246 infecções prováveis na província de Ituri, no leste congolês, considerada o epicentro da crise.
Segundo informações publicadas pela revista Veja, a OMS afirmou que existe alto risco de disseminação internacional da doença, embora o cenário ainda não seja classificado como uma “emergência pandêmica”.
Uganda já confirmou dois casos ligados a viagens ao Congo. Um dos pacientes, um homem de 59 anos, morreu após contrair a doença.
A recomendação da OMS inclui isolamento imediato dos casos confirmados e monitoramento diário das pessoas que tiveram contato com infectados. A entidade também orienta restrições de viagens nacionais e suspensão de viagens internacionais por até 21 dias após a exposição ao vírus.
Apesar do alerta, a organização não recomenda o fechamento de fronteiras nem a interrupção do comércio entre os países da região. A avaliação é de que bloqueios poderiam estimular travessias irregulares e dificultar o controle sanitário.
Na sexta-feira (15), o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças alertou para o risco de disseminação devido ao intenso fluxo de pessoas entre áreas afetadas e países vizinhos. A província de Ituri concentra cidades mineradoras com grande circulação populacional.
Os sintomas iniciais do ebola incluem dor de cabeça e vômitos. Em casos graves, a doença pode evoluir para hemorragias e falência múltipla de órgãos. A taxa de mortalidade chega a 50%, de acordo com a OMS.
O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue e vômito, além do contato com cadáveres durante cerimônias funerárias.
Desde a identificação do vírus, em 1976, o Congo já enfrentou 16 surtos de ebola. A maioria foi causada pela cepa Zaire, que possui vacinas disponíveis. Desta vez, porém, as amostras analisadas pertencem à cepa Bundibugyo, para a qual ainda não existe imunizante licenciado.

