A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos pode gerar efeitos contrários aos esperados e fortalecer a capacidade de adaptação das facções criminosas, segundo o criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern.
Em entrevista à BBC News Brasil, o especialista afirmou que medidas rigorosas adotadas contra grupos criminosos, em alguns casos, acabam incentivando estruturas mais organizadas, sofisticadas e resilientes.
A classificação impõe sanções econômicas e amplia restrições a pessoas e empresas que mantenham qualquer tipo de apoio material às facções. Entre as consequências está o bloqueio de bens e ativos vinculados aos grupos em território americano.
Passas avalia que PCC e CV deverão enfrentar novos desafios para manter suas operações, especialmente na área financeira. No entanto, ele destaca que a eficácia das medidas dependerá da cooperação entre autoridades dos Estados Unidos, do Brasil e de outros países.
Segundo o especialista, organizações criminosas costumam buscar alternativas para contornar restrições legais e financeiras, além de fragmentar suas operações quando enfrentam maior pressão das autoridades. Ele também aponta que a falta de coordenação internacional pode dificultar o monitoramento das atividades das facções fora da jurisdição americana.
Com informações da BBC.


