Perdemo, manés – Jornal O Democrata

Barroso disse “perdeu, mané” e um terço do Brasil nem viu; entre os que se importam, metade sorriu e metade chorou. Porém, todos entenderam o tom de deboche e nessa semana descortina-se na cara de todos o quanto a sociedade é motivo de chacota para essa casta de intocáveis.

O escândalo em torno de Daniel Vorcaro já vinha exposto há tempo. Contratos, parentes e relações entre as partes não caíram do céu na semana passada. O que muda agora é a proximidade do ministro Alexandre de Moraes com a própria montagem desses papéis. Se os registros que vieram à tona se confirmarem, sobra pouco espaço para a desculpa da coincidência e ainda menos para o teatro da indignação seletiva.

Um ministro do Supremo precisa de reputação que resista ao exame público. Isso não é detalhe moralista. É condição do cargo. Ninguém está pedindo condenação no meio da rua. Está se dizendo o óbvio, que a investigação siga e que o responsável, se houver, responda. O que não segue em pé é a pretensão de que Moraes continue acima de qualquer dúvida depois de tudo o que apareceu.

Cabe ao Senado tratar disso como matéria institucional, não como briga de torcida. O hábito nacional, porém, aponta para outro destino.

Quando o nome é poderoso demais, a apuração começa barulhenta e termina mansa. Os de cima se organizam, o tempo dissolve a urgência e no fim sobra aquela pizza conhecida, com fatia amarga para quem insiste em ter esperança.

Barroso disse “perdeu, mané”. Desta vez a frase não serve para o Alê. Se essa história morrer no silêncio cômodo de sempre, ele segue ministro e o aparato segue intacto. Quem perde é o cidadão que ainda acreditava que a regra valia para todo mundo. Perdemos. O mané somos nós.

Redação.

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