A possível proibição das apostas esportivas e dos jogos online, as chamadas bets, no Brasil deve produzir efeitos em diferentes áreas da economia. A medida, prevista para ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25), pode afetar o endividamento das famílias, a arrecadação pública, a publicidade e os contratos de patrocínio esportivo.
Segundo estudo da LCA Consultores, divulgado em abril, os gastos das famílias brasileiras com bets correspondem a 0,46% do orçamento familiar e 0,3% do PIB. O levantamento estima gasto médio mensal de R$ 122 por apostador em 2025, equivalente a mais de R$ 1,4 mil ao ano.
Endividamento
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que os brasileiros gastam mais de R$ 30 bilhões por mês com apostas. Segundo a entidade, o acesso excessivo às bets teria contribuído para levar 268 mil famílias à inadimplência severa, considerando atrasos superiores a 90 dias.
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) questionou esse dado.
Arrecadação e publicidade
O faturamento do setor de bets em 2025 foi estimado em R$ 220 bilhões, dos quais R$ 37 bilhões corresponderiam ao valor efetivamente embolsado pelas empresas. A eventual proibição poderia representar uma redução anual de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões na arrecadação do governo, segundo os dados apresentados pelo Estadão.
A publicidade também seria afetada. Dados do Ibope Advertising Intelligence e Meio & Mensagem apontam investimentos de R$ 3,1 bilhões em anúncios pelas maiores marcas anunciantes do País. Já os patrocínios anunciados dos maiores clubes de futebol brasileiros somam mais de R$ 1,1 bilhão por ano.
Segundo o Estadão, bets já começaram a notificar emissoras de televisão sobre o rompimento de contratos diante da possibilidade de proibição.
Setor de apostas contesta proibição
Entidades do setor, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), defendem a manutenção de um mercado regulado. Segundo as associações, uma proibição poderia ampliar a participação de sites ilegais.
Estudo da ANJL aponta que, considerando apenas a proibição de cassinos online, a participação de sites ilegais poderia passar de 41% para 82% do mercado regulado atual.


