História do vinho brasileiro

Vinhedos no Vale do São Francisco – BA/PE

PARTE 9 – NOVOS “TERROIR”

Pernambuco e Bahia (Vale São Francisco):

Esta região abrange os municípios de Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande, Petrolina, no estado da Pernambuco e Casa Nova, na Bahia.

O maior potencial é para produção de uvas de mesa, principalmente visando à exportação, porém mostrou-se interessante para as vitis-vinífera: Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Sylvaner, Moscato Canelli, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bousquet, Touriga Nacional, Aragonês, Tempranillo e Tannat, etc..

São dois momentos marcantes nesta região. O primeiro na década de 70 com as multinacionais produzindo uvas, principalmente para elaboração de “Vermuth” e o nascimento de algumas vinícolas. A segunda etapa deu-se nos anos 90, com o interesse das vinícolas da região do Rio Grande de Sul, grupos estrangeiros e uma importadora. A vinícola Miolo teve um grande destaque neste momento, pois foi a “pioneira” na elaboração e distribuição em grande escala dos vinhos desta região em território nacional, sendo que inicialmente as uvas eram transportadas em caminhões refrigerados até a sede da vinícola em Bento Gonçalves para elaboração dos vinhos. Atualmente os vinhos já são elaborados na unidade do Vale do São Francisco.

Uma das dificuldades iniciais enfrentadas nesta segunda etapa foi à mão-de-obra, pois a maioria dos trabalhadores da região estavam acostumados a lidar com uvas de mesa, onde colhe-se os frutos antes do amadurecimento total, o que não é ideal para elaboração de vinhos.

A vantagem da região, por situar-se na região do semi-árido com baixo índice pluviométrico, é que se pode controlar o ciclo vegetativo da videira, pois se faz necessário a utilização de irrigação com as águas do Rio São Francisco, podendo assim, com a interrupção do fornecimento de água produzir até 2,5 safras por ano, outra vantagem é que se tem várias áreas em diversos ciclos das videiras, podendo coordenar a vindima durante quase todos os meses do ano, evitando assim uma estrutura de grande porte para estocagem do vinho.

As principais vinícolas do vale do São Francisco são:

  • Vinícola Botticelli,
  • Vinícola Bianchetti,
  • Vinícola Santa Maria – Rio Sol,
  • Vinícola Terra Nova – Miolo,
  • e a nais recente a Vinícola Vinum Sancti Benedites (VSB).
Vinícola UVVA – Chapada Diamantina – BA (52 hectares)

Chapada Dimantina – BA

Recentemente tem-se investido na região da Chapada Diamantina, no município de Mucugê – BA, a Vinícola UVVA implantou seus vinhedos a partir de 2012 e estão a uma altitude de 1.150 metros acima do nível do mar num solo classificado como Franco-Argilo-Arenoso, que carrega de suas origens inúmeras camadas de arenitos, conglomerados e calcários, resultantes de depósitos sedimentares primitivos.

Sua profundidade permite uma excelente drenagem, propiciando um perfeito desenvolvimento das raízes, permitindo-as que busquem nutrientes em camadas mais profundas do solo, fator que contribui para a complexidade dos vinhos. É uma região que proporciona uma grande amplitude térmica entre o dia e a noite e com uma diferença de temperatura entre a mínima e a máxima em até 20ºC, melhorando em muito a qualidade dos frutos.

Nesta região adotou-se a técnica da dupla poda ou pode invertida, que consiste em redirecionar o ciclo produtivo da videira, promovendo o primeiro corte durante o inverno (mais especificamente no mês de agosto), para a formação dos ramos produtivos, e o segundo já no auge do verão (no mês de janeiro), dessa vez para a produção propriamente dita. Nesta técnica o ciclo da videira reduz a velocidade de evolução dos açúcares, então as maturações técnica e fenólica acabam acontecendo no mesmo ritmo, proporcionando um ganho de qualidade nas uvas. As uvas que mais se adaptaram nesta região são as tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot, e as brancas, Chardonnay e Sauvignon Blanc, mas existem mais experimentos em andamento.

Outros empreendimentos na região estão localizados na região do “Morro do Chapéu – BA”, são a Vinícola Vaz em 2015 (uvas Malbec, Syrah e Viognier) e a Vinícola Reconvexo em 2018 (uvas Malbec,  Syrah, e Chardonnay), estas de pequeno porte, mas também de grande importância.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

+ Parte 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 4 – FASES DA VITIVINICULTURA NA SERRA GAÚCHA

+ Parte 5 – FIM DO SÉCULO PASSADO E INÍCIO DOS ANOS 2000

+ Parte 6 – AS CONQUISTAS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS

+ Parte 7 – REGIÕES VINÍFERAS NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 8 – REGIÕES VINÍFERAS EM SANTA CATARINA

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro. Podem entrar em contato! Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

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Santana de Parnaíba – SP