História do Vinho no Brasil

Diamantina/MG

PARTE 13 – VINHOS DE MINAS GERAIS (parte I)

Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, desde o final da década de 90, Diamantina, distante quase 300 km da capital mineira, tem muito mais que um conjunto arquitetônico preservado, noites embaladas por serestas, tapetes arraiolos, histórias sobre Chica da Silva e o fato de ter sido a cidade natal de um dos presidentes brasileiros mais famosos: Juscelino Kubitschek

Produção de vinhos na região de Diamantina

O botânico francês Saint-Hilaire (Augustin François César Provensal), esteve no Brasil fazendo pesquisas sobre plantas, animais e minerais entre os anos de 1816 a 1822, um dos locais estudados foi o Distrito dos Diamantes, região com muitas riquezas e desejadas por Portugal, além dos diamantes, o lugar tinha plantação de uvas.

No século XIX, a localidade já tinha cepas de uvas portuguesas e francesas e a produção do vinho foi principalmente estimulada pelo Clero através do 1º Bispo da região.

Com o ataque da filoxera no início do século XX que teve início na Europa, chegou aos vinhedos diamantinenses trazendo o declínio aos parrerais de cepas viníferas, reconduzindo para a produção de uvas americanas, especialmente a Isabel e a Niágara, por serem resistentes à praga.

Na década de 1940, a produção de uvas tem um impulso com novos investimentos estimulados com a implantação da estação de enologia em Diamantina, porém na década de 60 houve uma redução de recursos financeiros no setor levando quase ao desaparecimento dessa prática.

O grande recomeço no século XXI

Outra observação interessante de Saint-Hilaire é a constatação de que em algumas regiões as uvas colhidas no período da seca eram de melhor qualidade do que as colhidas no verão. Isso provavelmente foi mais um indício para, a partir de 2001, o pesquisador Murillo de Albuquerque Regina começar a implantar em vinhedos mineiros a técnica da dupla poda, que consiste inverter o ciclo da planta e colher as uvas no inverno.

A Vitivinicultura na região de Diamantina foi reiniciada em 2003, isoladamente pelo diamantinense João Francisco Meira, mas foi em 2011, com o apoio do Gov. de Estado de Minas (SECTESD/FEPAMIG) e em ação coordenada pelo Prof. Luiz Eustáquio L. Pinheiro, com a implantação de 13 módulos experimentais, através da adesão de produtores e empresários da região, e com mudas vindas da EPAMIG Uva e Vinho, que a atividade começou uma fase de desenvolvimento e consolidação de sua vocação histórica de produtora de vinhos.

EPAMIG Uva e Vinho (Núcleo Tecnológico de Caldas) – Divisão da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, dedicada aos estudos sobre vitivinicultura.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) foi constituída como empresa pública, pela Lei nº 6.310, de 8 de maio de 1974 (Minas Gerais, 1999) com a finalidade de desenvolver pesquisas e experimentações relacionadas direta e indiretamente com a agropecuária e com o objetivo de constituir-se no principal instrumento de execução das atividades de pesquisa agropecuária no Estado de Minas Gerais.

Em 1976, com a consolidação do Sistema Estadual de Pesquisa Agropecuária (SEPA), envolvendo a EPAMIG, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), hoje Universidade Federal de Lavras (UFLA), firmou-se a integração das ações de pesquisa em nível estadual, visando ao interesse de Minas e do país.

Vinícolas em Diamantina e Região

Vinícola Campo Alegre – Diamantina (Serra do Espinhaço) – MG

Um dos principais propósitos da Quinta do Campo Alegre é o resgate cultural de uma atividade com mais de século de tradição na região de Diamantina, pioneira na produção de vinhos através do clero, após a chegada da coroa portuguesa ao Brasil. O plantio das uvas vitiviníferas iniciou em 2011 e desde então vem expandindo em área e castas Syrah, Tempranillo, Malbec, Pinot Noir, Tannat, Merlot e Sauvignon Blanc. No vinhedo é adotada a técnica de ciclo invertido com prática da dupla poda, o que possibilita agregar maiores teores naturais de açúcares e compostos nas uvas, propiciando uma qualidade única aos vinhos.

Vinícola Vesperata – Diamantina (Serra do Espinhaço) – MG

Propriedade do casal Eduardo e Madalena Campos, com apenas 0,5 hectares de vinhedo com a casta Syrah desde 2011, com a 1ª safra em 2016, de colheita de inverno. O nome da vinícola homenageia a cultura regional das noitadas de músicas executadas a partir das sacadas dos casarões do centro histórico

Vinícola Quinta D’Alva – Diamantina – MG

Localizada na periferia de Diamantina, propriedade do empresário João Francisco Pereira de Meira, com aproximadamente 5 hectares com mais de 20 variedade de viníferas, com maior expressão das cepas syrah, Tempranillo e sauvignon Blanc.

Vinícola Buenos Momentos – Diamantina – MG

Com 4 hectares produzindo as cepas Syrah e Tempranillo, de propriedade do oftalmologista Manoel Bueno.A 1ª safra produzida foi em 2016, 100% varietal.

Vinícola Quinta da Matriculada – Diamantina – MG

O nome é em homenagem a Serra da Matriculada de propriedade do médico Daniel Barrote , com produção das variedades Syrah, Tepranillo, Pinot Noir, Malbec e Sauvignon Blanc. A 1ª safra foi em 2013 com a variedade Syrah, com técnica de poda invertida.

Vinícola Quinta da Lapa – Serro – MG

A vinícola fica na nascente do rio Jequitinhonha e está entre as que produzem no sistema de dupla poda com colheita de inverno,as principais castas são as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e as tintas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Syrah, Tempranillo e Touriga Nacional.

+ Parte 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

+ Parte 2 – HISTÓRIA DO VINHO EM SÃO ROQUE

+ Parte 3 – A VITICULTURA NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 4 – FASES DA VITIVINICULTURA NA SERRA GAÚCHA

+ Parte 5 – FIM DO SÉCULO PASSADO E INÍCIO DOS ANOS 2000

+ Parte 6 – AS CONQUISTAS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS

+ Parte 7 – REGIÕES VINÍFERAS NO RIO GRANDE DO SUL

+ Parte 8 – REGIÕES VINÍFERAS EM SANTA CATARINA

+ Parte 9 – NOVOS “TERROIR”

+ Parte 10 – VINHO DO CERRADO – GOIÁS

+ Parte 11 – VINHOS DO PARANÁ – PARTE I

+ Parte 12 – VINHOS DO PARANÁ – PARTE II

Vinhedos em Diamantina

Agradeço desde já quem quiser colaborar com a memória do vinho brasileiro. Podem entrar em contato! Cordialmente, Carlos Vivi!

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

Autor: Carlos Vivi
e-mail: vinhosvivi@gmail.com.br
WhatsApp: (11) 9.5052-8855
Santana de Parnaíba – SP

Referências Bibliográficas:

  • Dardeu, Rogério – Gente, Lugares e Vinhos do Brasil
  • Site: espacogourmetmundodagastronomia.com
  • Site: epamig.br